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George R.R Martin além de Game Of Thrones




  Wild Cards, escrita pelo querido e amado George R.R Martin (Game of Thrones). Conta com 22 livros escritos e publicados, no Brasil só foram traduzidos 5 exemplares pela editora Leya. A história foi criada por George R.R Martin na sua juventude, junto com alguns amigos como um jogo de RPG, para diversão. Como se tornaram obsessivos pelo jogo, deixando de lado a vida social e trabalhos para se dedicarem a ele, decidiram ganhar dinheiro com o mundo criado, transformando em uma coletânea de histórias e publicando-as como livros.

  Um vírus alienígena chega a terra de forma trágica, ao roubá-lo de seu próprio planeta, o alienígena Tachyon sofre um acidente, com a nave que carregava a ogiva viral, caindo em nosso planeta, após o acidente um mafioso encontra a bomba antes das autoridades e a usa para ameaçar Nova York. Num ato heroico o piloto conhecido como Jet Boy tenta salvar a cidade, sem saber o que a ogiva carregava. Falha e ajuda a detoná-la em cima da cidade, espalhando o vírus pelos Estados Unidos e o mundo. Milhares morrem, alguns se tornam “aberrações” e outros tiram a carta de sorte pois se tornam verdadeiros heróis com poderes, estilo mutantes X.  Assim começam histórias de intriga e superação daqueles que tiraram a sorte grande e os que sofreram as deformidades do vírus.

 O mais interessante é que não se trata apenas de heróis salvando o mundo, mas de pessoas que eram normais e agora carregam responsabilidades nas costas, além dos poderes, cada personagem é “normal” com dificuldades pessoais, dilemas, paixões e lados obscuros, “heróis” alcoólatras que não acreditam em nada pelo que lutam, são pessoas com problemas tentando salvar um mundo, mas não conseguem se salvar. A humanidade vem acima dos poderes, há várias passagens com fatos históricos modificados para se encaixar nos personagens da série e a evolução de cada um deles é feita de forma fantástica também, ninguém escolheu seu destino, mas todos acabam por arcar com as consequências.

 Para o pessoal chegado a histórias de super-heróis com certeza irão gostar e se apaixonar pelos livros.

Sobre livros #2 - Trilogia dos Espinhos



Saudações, aprendizes! Hoje vamos falar sobre a Trilogia do Império Destruído, ou Trilogia dos Espinhos!

Arte oficial das capas da trilogia, por Jason Chan
 Este texto pode conter spoiler e prejudicar sua experiência, caso não tenha lido ou esteja familiarizado com o livro. Leia por sua conta e risco.

Livros: Prince of Thorns; King of Thorns; Emperor of Thorns.
Série: Trilogia dos Espinhos
Autor: Mark Lawrence
Nº de páginas: 360; 523; 525
Editora: Darkside Books

 The Broken Empire Trilogy, ou Trilogia dos Espinhos no Brasil, narra a brutal saga de Honório Jorg Ancrath ao trono do império. A trama pode ser classificada como fantasia grimdark, um subgênero que se caracteriza pela brutalidade do cenário, com personagens cinza e uma linha tênue ou mesmo inexistente separando o bem e o mal.
 Você vai ler por aí que Jorg é um herói às avessas, um anti-herói ou outra coisa do tipo. Deixemos um pouco de lado a definição exata exata de herói/anti-herói, visto que não há motivo para classificá-lo de tal maneira.
 Porque Jorg é um vilão, e ponto.

 Lawrence nos mostra isso nas primeiras páginas de Prince. Sabemos de início que, quando criança, Jorg testemunhou o assassinato de sua mãe e de seu irmão mais novo. Escapou apenas porque um de seus guardas reais o atirou entre os arbustos na beira da estrada.
 Mas o arbusto era roseira-brava, que não solta e, quanto mais o infeliz tenta se mexer e se debater, mais os espinhos cravam em sua pele. De onde estava, pôde ver tudo acontecer, enquanto a roseira-brava fazia seu trabalho.

 
Arte da capa de Prince por Jason Chan


"-Os espinhos me ensinaram o jogo."
                    -Jorg Ancrath




 Após ser resgatado, Jorg passa por um período de quase tortura enquanto tentam tentam salvá-lo, pois a roseira-brava não costuma deixar sobreviventes. Em sua mente, portas haviam sido abertas. Portas que não deveriam ser abertas, muito menos por uma criança...
 Após descobrir algo perturbador sobre o ataque do qual sobreviveu, Jorg foge do castelo do pai e passa a viver por anos com um grupo de bandidos de estrada. O tempo passa e ele se torna um verdadeiro canalha. Saqueador, estuprador e assassino, em momento algum o autor tenta esconder isso. A primeira cena do livro se passa em uma aldeia sendo saqueada e incendiada pelo grupo de bandidos conhecido como Irmandade, comandado pelo príncipe em questão.
 Jorg, então, resolve voltar para casa. Espera encontrar o pai e colocar em prática seus planos e objetivos.
 Um objetivo simples, na verdade.
 Que com quinze anos, já seria rei.

 "Alguns homens conseguem acertar na mosca a centenas de metros. Eles não miram melhor porque assim desejam, não são mais certeiros porque defendem o que é justo. Eles apenas atiram com mais precisão. Agora, quanto a mim... Eu apenas me vingo melhor do que a maioria. Você pode considerar isso um dom."
-Trecho de Prince of Thorns
 
 Essa é a base da trama do primeiro livro. Para não dar mais spoilers, vamos ao segundo...

Arte da capa de King por Jason Chan


 Em King of Thorns, Jorg é o rei de um pequeno reino. Como no livro anterior, a história alterna entre os acontecimentos do passado e do presente, e vemos Jorg viajar pelo império destruído em busca de recursos e aliados para vencer uma guerra que já parece perdida.

 Isso porque Orrin de Arrow, o príncipe prometido, é o mais poderoso candidato ao trono do império. Um homem justo e certo, Orrin é generoso com seus aliados e bondoso com o povo.
 Mas Jorg não é um homem capaz de se ajoelhar...

 Neste livro também acompanhamos parte da história pelo ponto de vista de Katherine, a mulher que Jorg deseja mais do que ninguém.

 King foi, na minha opinião, o melhor livro da trilogia. Teve um objetivo muito mais claro do que o primeiro livro, e a narrativa foi muito mais empolgante. Do primeiro ao último capítulo, ficamos curiosos para saber o há dentro daquela maldita caixa...

 "Memórias é tudo que nós somos. Momentos e sentimentos, capturados em âmbar, amarrados em filamentos de razão. tira a memória de um homem e tomará tudo dele. Desbaste uma lembrança de cada vez e você o destruirá tão certamente como se martelasse prego após prego em seu crânio."
-Trecho de King of Thorns


 E, finalmente, vamos ao terceiro:


Arte da capa de Emperor por Jason Chan

 Emperor of Thorns fecha a trilogia sobre Jorg Ancrath de forma magistral. Passada a batalha contra o príncipe de Orrin, desta vez acompanhamos Jorg rumo ao trono do império.

 Novamente o livro nos mostra os acontecimentos em dois tempos distintos: passado e presente, entrelaçando a história com o livro anterior e trazendo novas e interessantes perspectivas à trama.

 Jorg dessa vez reúne seu séquito e parte para o congresso, evento que ocorre a cada quatro anos, onde os reis se reúnem para tentar escolher um imperador.

 Paralelo a isso está o Rei Morto, o mais terrível dos antagonistas de toda a série. Capaz de meter medo no mais terrível dos necromantes, esse novo vilão envolto em mistério também marcha com sua tropa de mortos vivos em direção ao congresso, onde um confronto com Jorg será inevitável.

 A trama envolvendo o exército de zumbi é mais do que satisfatória. O Rei Morto esconde um segredo, que um leitor atento pode vir a desvendar antes da hora...

"Deixe um homem jogar xadrez e diga a ele que todos os peões são seus amigos. Diga que ambos os bispos são santos. Faça-o lembrar de dias felizes à sombra das torres. Deixe-o amar sua rainha. Veja-o perder tudo."
-Trecho de Prince of Thorns

 Sobre o cenário:

 Um ponto que vale destacar é a ambientação. Embora o império destruído possa parecer um cenário de fantasia medieval comum, ele esconde muitos segredos. A grande sacada do cenário se torna óbvia no segundo e terceiro livro, mas diversas pistas podem ser encontradas no primeiro volume.

Mapa do império destruído. Acho que já vi isso em algum lugar...

 Personagens:

 Como a trilogia é toda narrada em primeira pessoa, fica meio óbvio que o único personagem realmente aprofundado é o Jorg. No entanto, entre um capítulo e outro, Lawrence descreve em pequenos parágrafos algo sobre as personalidades dos irmãos de estrada.
 Apenas alguns exemplos:

 "Muito tempo atrás, nos dias calmos, o irmão Grumlow esculpia madeira, trabalhava com serra e cinzel. Quando tempos difíceis vêm, carpinteiros tendem a ser pregados em cruzes. Grumlow pegou a faca e aprendeu a esculpir os homens. (...)"

 "Irmão Sim se mantém fechado e você nunca irá conhecê-lo, não importa quais palavras vocês troquem. Ele sussurra algo a cada homem que mata. Se ele dissesse aquilo a um homem e o deixasse viver, talvez eu tivesse perdido um matador."

Sobre a edição:

 A edição da Darkside é linda, resultado de um trabalho feito com esmero. Os livros foram lançados em capa dura e apenas a capa já é de encher os olhos. Ponto positivo para a editora.

Considerações finais:

 No geral, a Trilogia dos Espinhos é mais do que recomendada para quem curte uma fantasia mais crua, mais dark. Não é livre de defeitos, com alguns personagens clichê e diversos momentos Deus ex machina. E pode, é claro, não ser do agrado dos mais puros de coração, seja pelo aspecto vilanesco do protagonista ou pela brutalidade do cenário. De qualquer forma, é uma saga mais do que obrigatória para os fãs de literatura fantástica, principalmente para os órfãos sofredores de Game of Thrones ( tipo eu. Pô, tio George, escreve aí...)
 
 Eu recomendo!

"(...)é isso que somos, irmãos, sangue e sujeira. E nada pode nos lavar, nem o sangue dos inocentes, nem o sangue dos cordeiros.(...)"
-Trecho de Emperor of Thorns


 E não se esqueçam, acessem o Baú do Arquimago para mais histórias!

Sobre livros #1 - Quando as Bruxas Viajam

Saudações, aprendizes! É um prazer informar que o Baú do Arquimago e o Programa sintonia Cult iniciaram uma parceria de resenhas!Para começar, a resenha de um ótimo livro da série discworld!


Arte da capa por Josh Kirby



Título: Quando as Bruxas Viajam

Série: Discworld nº12

Autor: Terry Pratchett

Editora: Conrad

Nº de páginas: 301

Sinopse:

  Era uma vez um reino encantado, onde tudo acontecia como as coisas devem acontecer nos contos de fadas. Até que surgiu um problema: a princesa Brasirella se recusa a casar-se com seu respectivo príncipe/sapo e, para se esconder da poderosa e autoritária fada madrinha, arruma emprego de servente e se torna uma Gata Borralheira. A fada madrinha está decidida a resolver o caso, porque, como se sabe, as histórias precisam ter final.
  Ninguém pode evitar que a princesa se case com o príncipe, a não ser as bruxas Margrete Alho, Vovó Cera do Tempo e Tia Ogg! Mas, para isso, elas precisarão enfrentar muitos obstáculos, como vampiros, lobos maus, casas que caem do céu e... finais felizes!


Resenha:

  Quando as Bruxas viajam Ã© o décimo segundo livro da série discworld, e o terceiro que tem como personagens centrais as bruxas. Como já disse na resenha de Pequenos Deuses, a série não necessita de uma ordem para ser lida. Você pode se divertir com este livro sem o medo de ter perdido alguma coisa.
  Comprei este livro num sebo, após uma árdua pesquisa na internet. Infelizmente, os primeiros volumes da série lançados pela conrad editora estão esgotados. Apenas exemplares usados podem ser encontrados na internet, muitos a preços incrivelmente altos. Tive a sorte de encontrar este próximo de minha cidade, e fui obrigado a ir buscá-lo.

  Logo de início, confesso que me surpreendi. A leitura foi muito mais fluída do que a maioria dos livros da série. A história começa com a morte de Desiderata Hollow, uma dentre as muitas bruxas no disco. Acontece que Desiderata era uma Fada Madrinha e, como tal, deveria ter treinado uma sucessora.
  Mas não. em seu testamento (na verdade, um bilhete bem ordinário), Desiderata delega sua varinha mágica e suas responsabilidades como madrinha para Margrete Alho, a mais jovem bruxa do coven de Lancre. E quando digo mais jovem, quero dizer menos velha...
  O bilhete continha instruções bem específicas:

  -Você deve ir para Genua;
  -Ella não deve se casar com o príncipe;
  -Não leve aquelas velhas corocas com você.

  As velhas corocas, é claro, são a Vovó Cera do Tempo e a Tia Ogg.
  A partir daí as três partem numa longa viagem até Genua, cada uma em sua vassoura. A vassoura de Vovó, inclusive, só funciona no tranco, o que significa que ela deve correr de um lado pro outro até fazer "pegar"...

  A primeira metade do livro trata-se de uma grande sátira aos filmes de viagem e aos contos de fada em geral, com as três passando pelos mais variados lugares, como uma cidade dominada por um vampiro ou um castelo onde todos estão adormecidos. Por um bosque onde encontram a garota da capa vermelha até uma cidade onde uma corrida de touros explode pela rua. Claro que a passagem das bruxas por tais lugares não é algo insignificante, e todo tipo de confusão imaginável acontece.

  A partir da segunda metade do livro, as bruxas chegam à Genua, onde devem encontrar a princesa Brasirella e impedi-la de se casar. Genua satiriza diversas localidades de uma só vez, misturando vodu e carnaval. Nesta parte também conhecemos a vilã da história, a fada madrinha Lilith, e descobrimos porque ela está obrigando as pessoas a terem finais felizes...

  Personagens:

   O livro é centrado nas três bruxas, satirizando ainda a trindade anciã, mãe e donzela. Vovó Cera do Tempo é rabugenta, teimosa e orgulhosa, mas nos mostra neste livro porque é a bruxa mais poderosa do disco. Tia Ogg é o alívio cômico do trio, bebendo tudo o que vê pela frente e contando suas piadas de duplo sentido. E Margrete Alho, a mais jovem, insegura sobre como se usa a varinha mágica, e frustrada por ter de aturar as outras duas.

  Há ainda a senhora Gogol, bruxa de Genua e especialista em vodu, que também têm interesse em impedir o casamento da princesa Brasirella. Uma ótima cozinheira, além de ser capaz de ver o futuro em seus ensopados. Possui um galo preto chamado Legba.

  Um personagem que merece destaque é Greebo, o gato desgraçado da Tia Ogg. Temido por TODOS os animais da floresta de Lancre, e pai da maior parte dos gatos da região. Cego de um olho, com as orelhas roídas e coberto de cicatrizes, o mascote da tia Ogg protagoniza grandes e engraçados momentos.

  E, como não poderia deixar de mencionar, Morte faz diversas aparições durante o livro, trazendo sempre aquele seu toque de humor ácido e irreverente à trama. Afinal, morre gente em todos os lugares, até mesmo em Genua...

  Sobre a edição:

  Quando as bruxas viajam foi o último livro da série publicado pela CONRAD no brasil. (Os pequenos homens livres, embora tenha sido publicado depois, faz parte da série infanto juvenil.). A editora manteve o trabalho de edição que vinha fazendo nos volumes anteriores, com a capa baseada na original e as mesmas regras para a tradução que, vale ressaltar, foi muito bem feita.

  Felizmente, a BERTRAND BRASIL retomou as publicações de discworld no brasil. Pequenos Deuses e Lordes e Damas foram lançados em 2015, e a editora já anunciou o relançamento de Pequenos Homens Livres, seguido de Um Chapéu Cheio de Céu para 2016.

  Considerações finais:

  Quando as bruxas viajam é um ótimo livro. Rápido de ser lido, indicado para quem quiser dar algumas risadas enquanto viaja pelo disco.